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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A RENOVAÇÃO DA ÁGUIA


“Ele sacia seus anos de bens e sua juventude
se renova, como a da águia.” (Sl 103, 5)

Eis, novamente, a Bíblia nos mostrando o caminho da reciclagem, da atualização, do revigoramento, de tal sorte que prolonguemos nossos dias com qualidade de vida.
O salmista afirma que é Deus quem cumula de benefícios a nossa vida, perdoa nossas faltas e sara nossas enfermidades.
Neste momento, o que despertou minha atenção foi a segunda parte do versículo acima, ou seja, “sua juventude se renova como a da águia.” Ora, se a juventude da águia é renovada, onde encontrar maiores detalhes a respeito?
“A águia é a ave de maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem de tomar uma séria e difícil decisão.
Aos 40 anos ela está com as garras cumpridas e flexíveis, moles, não conseguindo mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito estão as asas envelhecidas e pesadas em virtude da grossura das penas, e voar se torna difícil!
Então a águia só tem duas alternativas:
Morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação, que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em voar, para o alto de uma montanha, e se recolher em um ninho próximo a um paredão, no qual não necessite voar.
Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico no paredão, até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar suas garras. Quando as novas garras começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação, e vai viver, então, mais 30 anos."
Esta fábula é de grande aplicabilidade para a nossa vida, visto que, à certa altura, devemos parar, refletir, ponderar, analisar, meditar, excluir desvalores e incluir valores, descartar hábitos arraigados e assenhorear-nos de novos dados, sob pena de morrermos para a vida competitiva aos 40 anos!
Quantas tradições nos sufocam e nos fazem caminhar para trás! Quantos conceitos e preconceitos, quantas lembranças, quantos princípios que já não têm mais sentido, e no entanto, continuamos deles escravos! É preciso ter a coragem de libertar-nos desses entulhos, se quisermos uma sobrevida de mais 30 ou 40 anos!
A renovação necessária, de corpo e alma, abrange o homem todo. No que se refere ao corpo, é preciso tomar uma decisão radical, isto é, mudar inteiramente a metodologia de vida: de sedentário para caminhante, de carnívoro para herbívoro, de fumante para não-fumante, de boêmio para abstêmio, de comilão para comedido, de dorminhoco para madrugador, de usuário inveterado do carro para amante de caminhadas, de consumista para acumulador de riquezas perenes. Palavras- chave: sobriedade, frugalidade e temperança.
No que diz respeito ao espírito é preciso, também, ser radical e não compactuar com meias-verdades. Assim, de rancoroso transmudar para bondoso, de acomodado para incomodado, de arredio à prática religiosa para fiel cumpridor das obrigações para com Deus, de avesso aos estudos retornar aos bancos acadêmicos, de egoísta e solitário para ativista e solidário. Palavras-chave: intrepidez, coragem, determinação.
Meu caro leitor, você e eu, todos nós, portanto, vamos nos despindo do homem velho e nos vestindo de bons hábitos, de boas atitudes, de novos valores, de novos conhecimentos; se for o caso, mudemos de emprego, de cidade, de amizades, refazendo nossa vida e alimentando a esperança, de tal sorte que, prolonguemos nossa existência com qualidade de vida.
Não se esqueça! A águia nasceu para viver perto do sol, do calor, da luz, da altura, e fora desse ambiente ela não sobrevive. E nós, também, nascemos para ser felizes, para alçar vôo e não para rastejar; nascemos para sonhar, para pensar, para criar, para perdoar, para agregar e congregar, e, acima de tudo, para amar, e fora desse ambiente sofremos, vegetamos, murchamos e morremos.
Não nos esqueçamos da renovação da águia, e comecemos hoje, agora, a nossa própria renovação. Descartemo-nos de nossos entulhos, antes que a sociedade se descarte de nós!


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